sábado, 18 de outubro de 2025

🇫🇷 A Arte de Viver Bem Onde Se Está

 

Imagem de Mohamed Alaa por Pixabay

Um estilo de vida inspirado nas mulheres francesas — adaptado à realidade mineira e à  fase madura e lúcida dos 60 anos.


1. O Início do Dia – Ritual de Presença

  • Acorde sem pressa, com luz natural. Abra a janela e respire.

  • Tome o café da manhã sentada à mesa (mesmo sozinha). Use uma xícara bonita, um guardanapo de pano, uma flor pequena.

  • Evite o celular por 20 minutos — leia um trecho breve de algo inspirador (um parágrafo de Montaigne, Simone de Beauvoir, ou mesmo um poema).

  • Escolha a roupa do dia pensando no que quer transmitir, não apenas no que é prático.

🎐 A mulher elegante começa o dia em harmonia consigo mesma.


2. Aparência – Elegância Serena

Roupas:

  • Prefira tons neutros: bege, marfim, azul-marinho, grafite, off-white, terracota.

  • Combine o clássico com o contemporâneo: uma calça de alfaiataria com uma blusa de algodão ou linho, sapatilha ou mocassim confortável.

  • Lenços e bijuterias delicadas elevam qualquer produção sem parecer esforço.

  • Evite “parecer jovem”: o encanto está em parecer inteira.

Perfume:

  • Um toque do Ô de Lancôme pela manhã e pronto.

  • Reaplique apenas se for sair à tarde — o segredo é deixar um rastro sutil, não um rastro forte.

Cabelos e maquiagem:

  • Cabelo limpo, bem cortado, natural.

  • Um batom em tom de boca e um toque de rímel bastam.

💬 “Discrição é o novo luxo.”


3. Meio do Dia – Cultura e Corpo

  • Mesmo nos dias de trabalho, procure um momento de silêncio entre as aulas para respirar fundo e observar o entorno.

  • Na volta pra casa, ouça música instrumental ou podcasts sobre psicanálise, filosofia ou cultura — o trânsito vira um ateliê mental.

  • Mantenha seus treinos físicos (corrida, musculação), mas sem obsessão. O corpo é um aliado, não um projeto.

💭 A saúde é o corpo em harmonia com o espírito, não em guerra com o espelho.


4. Tardes e Noites – Nutrir o Intelecto e a Alma

  • Separe um horário fixo (mesmo que 30 minutos) para leitura prazerosa: filosofia leve, biografias de mulheres inspiradoras, romances franceses.

  • Uma taça de vinho tinto ou um chá perfumado, música suave ao fundo e seu gato por perto — isso é mais parisiense do que muito café no Quartier Latin.

  • Escreva. Pode ser um diário de reflexões, pequenos ensaios ou anotações da análise — a escrita é a casa da alma pensante.

✍️ “Quem escreve, eterniza o próprio pensamento.”


5. Relações e Vida Social – Arte da Conversa

  • Cultive conversas lentas. Evite fofoca, aceleração, interrupções.

  • Faça perguntas que convidem à reflexão, não à disputa.

  • Nos grupos de estudo, mostre curiosidade genuína, mas mantenha um ar de reserva elegante.

  • Quando sentir interesse por alguém, permita-se o sorriso autêntico. Ele é a mais bela tradução da inteligência emocional.

🌹 Gentileza é uma forma de coragem silenciosa.


 6. À Noite – Encerramento com Propósito

  • Apague luzes fortes, acenda uma lâmpada amarelada ou uma vela.

  • Faça uma pausa de gratidão pelo dia — sem pieguice: apenas reconheça o que foi bom e o que aprendeu.

  • Use um pijama confortável, limpo e bonito (não para os outros, mas para si).

  • Durma ouvindo algo suave ou lendo uma página leve.

“Dormir é confiar que o amanhã pode ser ainda melhor.”


7. O Conceito Central: La Joie Intérieure

(“A alegria interior”)
Seu maior luxo é estar viva, lúcida e curiosa aos 60.
Você não vive para impressionar, mas para irradiar.
Cada gesto seu — o sorriso, a fala, a postura — é uma forma de educação estética e afetiva.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Poder sem dominação: diálogos psicanalíticos

 Lacan, Freud e Hyppolite 

Às vezes, viajar não é apenas percorrer distâncias, mas atravessar palavras, silêncios e memórias.
Entre o que se diz e o que se cala, surge um espaço onde nos encontramos com o outro — e com nós mesmos. É nesse intervalo que a escuta se torna arte e o poder, inesperadamente, transforma-se em cuidado.

Entre as passagens mais ricas do Seminário 1, Lacan comenta um diálogo entre ele,  Jean Hyppolite e um interlocutor identificado apenas como “Z*”.O tema que atravessa a conversa é ao mesmo tempo técnico e profundamente humano: a relação entre Freud, o poder e a resistência.

No fundo, o que está em jogo é uma pergunta que ultrapassa o campo da psicanálise: 

            o que significa exercer poder sobre outro ser humano?
  

E, mais ainda: 

             é possível escutar sem dominar?


O poder de compreender para dominar

Lacan observa que Freud teria substituído o poder direto sobre o outro — como o hipnotismo de Charcot — por um poder indireto: o da ciência sobre a natureza.
Essa passagem do domínio físico ao domínio intelectual revela um movimento que o próprio Freud nomearia em outros contextos: o da intelectualização, o impulso de compreender para poder controlar.

Freud, lembra Lacan, não esteve imune a uma certa forma de autoritarismo.
Mas o importante aqui não é julgá-lo — e sim compreender o quanto esse traço também está ligado ao gesto de fundar um saber, de se colocar diante do desconhecido com o desejo de explicá-lo.

Imagem de Welcome to All ! ツ por Pixabay


A resistência como descoberta e como ética

O interlocutor Z* sugere que Freud descobriu a resistência não apenas como conceito clínico, mas como experiência pessoal.
Ter “sentido vivamente a resistência” teria sido o que lhe permitiu reconhecê-la — e, sobretudo, não tratá-la como um obstáculo, mas como via de acesso à verdade do sujeito.

Lacan inverte a perspectiva: talvez o verdadeiro avanço de Freud não tenha sido vencer a resistência, mas saber escutá-la.
A inteligência do analista, diz Lacan, é justamente a de suportar não saber — de permitir que o sujeito tropece em suas próprias palavras.
Porque é nesse tropeço que a verdade pode aparecer.


Da dominação ao reconhecimento

Hyppolite acompanha Lacan em parte: tanto Charcot quanto Freud lidam com o poder, mas de maneiras radicalmente diferentes.
Charcot domina o corpo do sujeito; Freud reconhece a resistência e faz dela um ponto de trabalho.
Se Charcot transforma o paciente em objeto, Freud o reconduz à condição de sujeito.

O poder, então, muda de natureza: não se trata mais de controlar, mas de sustentar.
Freud inaugura uma forma de poder que se exerce pela palavra — um poder simbólico, que se apoia na escuta e na ética, não na força.


Ler Freud com prudência

Lacan adverte: é preciso cuidado ao interpretar Freud.
Reduzi-lo ao “homem autoritário” ou ao “gênio neurótico” é cair na armadilha de uma psicologização simplista.
As leituras biográficas, como a de Ernest Jones, tendem a apagar o que há de mais novo na psicanálise — o gesto de transformar a resistência em método, o não saber em instrumento.

Freud não é apenas um homem de poder.
É também aquele que abriu espaço para um tipo de poder que renuncia à dominação, e que, por isso mesmo, revela o sujeito na sua liberdade.


Um poder que escuta

Entre as lições desse trecho do Seminário 1, talvez a mais atual seja esta:
o poder que escuta é mais transformador do que o poder que impõe.

Na psicanálise, isso se traduz na ética da resistência.
Mas fora do consultório — nas relações, na educação, na política — também se poderia dizer que escutar o outro sem apressar-se em entendê-lo é o primeiro gesto de um poder verdadeiramente humano.

Entre histórias e viagens, a psicanálise nos lembra: escutar é sempre um modo de cuidar — e, às vezes, o mais difícil e generoso de todos.


Fonte de pesquisa: Jacques Lacan - O Seminário -Livro 1- Os escritos técnicos de Freud - Ed. Jorge Zahar - Págs.37,38,39.

Jean Hyppolite – Wikipédia, a enciclopédia livre

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